JONATAN RIBEIRO DE ALMEIDA

  Data do incidente: 26 de abril de 2022 Local: Favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro (RJ)   Jonatan Ribeiro de Almeida foi morto no dia 26/04/2022, na favela do Jacarezinho, durante incursão do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A vítima, jovem negro, foi qualificada no Inquérito Policial como […]

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Data do incidente: 26 de abril de 2022
Local: Favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro (RJ)

 

Jonatan Ribeiro de Almeida foi morto no dia 26/04/2022, na favela do Jacarezinho, durante incursão do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A vítima, jovem negro, foi qualificada no Inquérito Policial como opositora. Da leitura do Registro de Ocorrência, observa-se que a versão dos policiais envolvidos, relatada em sede policial, passou a constar na dinâmica dos fatos como verdade inconteste.

Jonatan tinha apenas 18 anos de idade. Desde cedo, trabalhava com a sua tia, fazendo entrega de roupas e artigos femininos para clientes, mas sonhava ser paraquedista militar, como seu avô. O laudo de necropsia e o esquema de lesões comprovam que ele foi vítima de Projétil de Arma de Fogo (PAF) que atingiu a região lombar, transfixando seu corpo, e saindo na região mamária. Ou seja, Jonatan foi atingido pelas costas.

No dia dos fatos, testemunhas afirmam que estavam conversando entre amigos em um dos becos no Jacarezinho, quando foram abordados, de forma agressiva, por um grupo de policiais. Após a abordagem, esses policiais atravessam o buraco que existe no beco e correram na direção da linha férrea.

Uma testemunha afirma que os policiais viram Jonatan, que estava parado no local, e que apenas teria olhado para trás ao ouvir o disparo de arma de fogo. Nenhuma abordagem anterior ao disparo foi feita e após o disparo nenhum tipo de socorro foi prestado. Os policiais, após o tiro, correram na direção da Praça da Concórdia e Jonatan foi socorrido por moradores que o levaram para a UPA.

A vítima não tinha qualquer arma ou outro objeto em suas mãos, não havia no local nenhum saco de drogas ou simulacro de arma de fogo. Além disso, não havia confronto ou venda de drogas no local no momento da incursão do Choque. Os policiais não retornaram ao local do tiro, não tentaram socorrer a vítima e nem recolheram qualquer objeto da cena do crime.

A versão policial, repleta de inconsistências, tentou atribuir a Jonatan a posse de um simulacro de arma e de drogas, prática lamentavelmente recorrente, que busca criminalizar vítimas da letalidade policial. Essa narrativa é, muitas vezes, acobertada pela ausência de uma investigação adequada e pela supervalorização dos depoimentos dos agentes envolvidos, tornando desnecessária, na prática, qualquer outra forma de prova.

A ação indenizatória de responsabilidade civil foi ajuizada em 2023 e, até o momento, aguarda sentença.