GUILHERME LUCAS MATIAS
Data do incidente: 06 de agosto de 2023 Local: Morro Santo Amaro, Rio de Janeiro (RJ) Resumo do caso: No dia 06 de agosto de 2023, Guilherme Lucas Martins Matias foi morto por projéteis de arma de fogo disparados por um policial militar. A vítima havia completado 26 anos no dia anterior de sua […]
Data do incidente: 06 de agosto de 2023
Local: Morro Santo Amaro, Rio de Janeiro (RJ)
Resumo do caso:
No dia 06 de agosto de 2023, Guilherme Lucas Martins Matias foi morto por projéteis de arma de fogo disparados por um policial militar. A vítima havia completado 26 anos no dia anterior de sua morte.
Para comemorar o aniversário, foi com amigos para o Baile Funk do morro Santo Amaro. Na saída do baile, já na manhã do dia 06/08/23, decidiram voltar juntos para casa. Por volta de 07h11min, o veículo entrou, em baixa velocidade, na contramão da Rua Fialho, na Glória. Conforme demonstram as imagens da câmera operacional portátil (COPs), analisadas pela arquiteta forense do Projeto Mirante, o policial atirador se posicionou no meio da rua, apontando o fuzil na direção do carro.
Entretanto, entre a ordem de parada e o disparo dos 8 projéteis na direção do veículo não transcorreram, sequer, 6 segundos, inviabilizando que o motorista ouvisse e tivesse tempo hábil de parar. As testemunhas sobreviventes esclareceram que não perceberam a presença da viatura e que apenas se deram conta quando estavam sendo alvejados, razão pela qual continuaram em desespero o caminho a que se destinavam.
Com o fuzilamento do veículo, o condutor levou Guilherme para o Hospital Souza Aguiar, por verificar que ele estava gravemente ferido. Os demais ocupantes do veículo também foram atingidos, socorridos no mesmo hospital e sobreviveram. Conforme o laudo de necropsia, ferimentos penetrantes do abdome e pelve, com hemorragia interna, foram a causa da morte de Guilherme.
A partir da análise das COPs, observa-se que o policial atirou diversas vezes no carro das vítimas, sem qualquer justificativa. O parecer técnico elaborado pelo Projeto teve como objetivo verificar a plausibilidade da alegação de legítima defesa sustentada pelo policial que efetuou os disparos, a partir de três afirmações: i) que o veículo estava em alta velocidade; ii) que houve uma tentativa de atropelamento do policial; iii) que havia um indivíduo armado dentro do carro.
A assistente, ao analisar a distância entre a posição aproximada do carro ao entrar na Rua Fialho e o local onde o carro foi alvejado pela primeira vez, concluiu que o veiculo em que Guilherme estava se encontrava 50% abaixo do limite de velocidade imposto na via, bem como que as imagens contradizem a versão policial de tentativa de atropelamento. Sobre a existência de uma pessoa armada dentro do veículo, sentado no banco do carona, o parecer técnico indica que pela imagem é possível ver a janela do carona sem a projeção de alguém ou de alguma arma para fora
Em razão das imagens captadas pela câmera operacional, restou comprovada a versão falaciosa do policial envolvido. Rompendo completamente com o padrão de inexistência de investigação adequada, entre a ação policial, em 06/08/23, a finalização do inquérito policial e oferecimento da denúncia, transcorreram apenas 3 (três) meses
O processo criminal está em andamento. A ação indenizatória de responsabilidade civil foi ajuizada, ainda não houve sentença.
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